Mostrar mensagens com a etiqueta Autores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Autores. Mostrar todas as mensagens

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Augusto Gil

 




A 26 de fevereiro de 1929, morre, na Guarda, Augusto César Ferreira Gil, advogado e poeta neoromântico nacionalista que viveu quase toda a sua vida na cidade da Guarda, colaborando e dirigindo jornais republicanos. Havia nascido em Lordelo do Ouro, Porto, a 31 de julho de 1873.

Publicou em 1913 um livro de crónicas (Gente de Palmo e Meio) e os seguintes livros de poesia: Musa Cérula (1894), Versos (1898), Luar de Janeiro (1909), O Canto da Cigarra (1910), Sombra de Fumo (1915), O Craveiro da Janela (1920), Avena Rústica (1927) e Rosas desta Manhã (1930).

A maioria dos antigos alunos da Instrução Primária sabia de cor o seu poema que a seguir partilhamos...


BALADA DA NEVE

Batem leve, levemente,

como quem chama por mim.

Será chuva? Será gente?

Gente não é, certamente

e a chuva não bate assim.


É talvez a ventania:

mas há pouco, há poucochinho,

nem uma agulha bulia

na quieta melancolia

dos pinheiros do caminho...


Quem bate, assim, levemente,

com tão estranha leveza,

que mal se ouve, mal se sente?

Não é chuva, nem é gente,

nem é vento com certeza.


Fui ver. A neve caía

do azul cinzento do céu,

branca e leve, branca e fria...

- Há quanto tempo a não via!

E que saudades, Deus meu!


Olho-a através da vidraça.

Pôs tudo da cor do linho.

Passa gente e, quando passa,

os passos imprime e traça

na brancura do caminho...


Fico olhando esses sinais

da pobre gente que avança,

e noto, por entre os mais,

os traços miniaturais

duns pezitos de criança...


E descalcinhos, doridos...

a neve deixa inda vê-los,

primeiro, bem definidos,

depois, em sulcos compridos,

porque não podia erguê-los!...


Que quem já é pecador

sofra tormentos, enfim!

Mas as crianças, Senhor,

porque lhes dais tanta dor?!...

Porque padecem assim?!...


E uma infinita tristeza,

uma funda turbação

entra em mim, fica em mim presa.

Cai neve na Natureza

- e cai no meu coração.

                                    Augusto Gil


             

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Descobre o escritor!

 Escritor e jurista, nasceu a 18 de junho de 1861, em Mogadouro, e suicidou-se a 9 de junho de 1908, em Lisboa. Órfão de mãe aos 6 anos, partiu com o pai para o Porto, onde fez os estudos liceais num colégio interno, e depois para Coimbra, onde frequentou o curso de Direito, colaborou em jornais e revistas e casou, conhecendo grandes dificuldades financeiras. Após ter exercido a advocacia durante algum tempo, em 1886, graças ao empenho de Camilo junto do seu amigo Tomás Ribeiro, então ministro de Estado, foi nomeado delegado do procurador régio no Sabugal, transitando depois para Ovar e, em 1889, para Lisboa. Depois de uma passagem por África, regressou à capital e foi colocado em Sintra. Em 1895, foi finalmente nomeado juiz em Lisboa. Paralelamente à carreira jurídica, desenvolveu uma intensa atividade jornalística. Publicou diversas obras didáticas. Em 1907, durante a ditadura de João Franco, foi exonerado do lugar de delegado do procurador régio. Esse dissabor, acrescido das desilusões com a Justiça acumuladas durante toda a vida e da doença nervosa de que padecia, levá-lo-ia ao suicídio, no ano seguinte.

Celebrizou-se pelos livros In Illo Tempore (1902) e, sobretudo, pelo volume de contos rústicos Os Meus Amores. Fonte

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

A Viúva e o Papagaio

Virginia Wolf nasceu a 25 de janeiro de 1882. Para assinalar a data partilhamos um recurso. Para aceder primam na imagem.
 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Miguel Torga

A 17 de janeiro de 1995, morre, em Coimbra, o escritor português Miguel Torga, nome literário do médico Adolfo Correia da Rocha.

Proposto várias vezes para o Prémio Nobel da Literatura, a sua vasta obra abrange a poesia, o romance, o teatro, o conto, as crónicas de viagem e as memórias.

Entre os seus textos mais conhecidos estão Os Bichos (1940), Odes (1946) e os 16 volumes do seu Diário, abrangendo o período entre 1941 e 1993.

Ganhou o Prémio Internacional de Poesia (1977), o Prémio Montaigne (1981) e o Prémio Luís de Camões (1989).  Fonte

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Centenário José saramago

Hoje tem início a comemoração oficial do Centenário de José Saramago. Esta é uma iniciativa da Fundação José Saramago em que a Rede de Bibliotecas Escolares é parceira.

No contexto do Quadro Estratégico 2027: Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro, educar para um modo de vida sustentável e humanista, que conjugue conhecimentos, competências, valores e participação, implica pensar e criar experiências de aprendizagem amplas, aprofundadas e integradas na vida de cada um.

O Centenário gera esta oportunidade por três razões derivadas da obra e pensamento do homenageado:

Na escrita de Saramago coexistem uma multiplicidade de géneros - narrativa, poesia, drama, ensaio, poesia, ficção científica, historiografia, crónica, entrevista, conferência … - que suscitam a interpretação de múltiplas disciplinas – Literatura, Política, Jornalismo, Filosofia, História, Ciência… - e adaptações em múltiplas linguagens - cinema, teatro, música, dança, pintura… - e idiomas que unem todos os continentes.

Os protagonistas das suas obras são seres humanos comuns, sem voz no espaço público e na História que, ora levam vidas sem sentido, ora através de decisões e ações espontâneas e livres sabem romper com as circunstâncias e mudar o mundo.

Os temas e contextos que apresenta correspondem a inquietações atuais: indiferença e apatia perante o sofrimento alheio, degradação ambiental, democracia ameaçada pelo poder económico, identidade e diferença, desinformação e censura, sofrimento animal, verdade histórica e inclusão, são exemplos. 

A hibridez da abordagem e o retrato amplo e vivo de quem somos - e podemos ser no futuro - que a obra apresenta, bem como o exemplo de vida de Saramago, gera desassossego, questionamento e discussão sobre o papel de cada um e de todos no mundo, impelindo à ação comprometida, que tem em conta o destino de todos os seres humanos e meio ambiente.

A Carta Universal de Deveres e Obrigações dos Seres Humanos, inspirada no discurso de Saramago na receção do Prémio Nobel da Literatura, norteia a visão do mundo e a ação das bibliotecas escolares que no Centenário são convocadas a participar com atividades que envolvem as crianças e jovens e as comunidades e que ajudam ao aprofundamento da obra e pensamento de José Saramago e à recuperação e transformação. Fonte


          

sábado, 13 de novembro de 2021

Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas

 


Aquando do seu falecimento, em 2010, José Saramago deixou escritas trinta páginas daquele que seria o seu próximo romance; trinta páginas onde estava já esboçado o fio argumental, perfilados os dois protagonistas e, sobretudo, colocadas as perguntas que interessavam à sua permanente e comprometida vocação de agitar consciências.

Saramago escreve a história de Artur Paz Semedo, um homem fascinado por peças de artilharia, empregado numa fábrica de armamento, que leva a cabo uma investigação na sua própria empresa, incitado pela ex-mulher, uma mulher com carácter, pacifista e inteligente. A evolução do pensamento do protagonista permite-nos refletir sobre o lado mais sujo da política internacional, um mundo de interesses ocultos que subjaz à maior parte dos conflitos bélicos do século xx.

Dois outros textos - de Fernando Gómez Aguilera e Roberto Saviano - situam e comentam as últimas palavras do Prémio Nobel português, cuja força as ilustrações de um outro Nobel, Günter Grass, sublinham. José Saramago recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel de Literatura em 1998. Fonte

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

José Saramago: O Silêncio da Água




Livro recomendado para o 5º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada.
A partir de uma recordação de infância, José Saramago compôs uma fábula universal que sobressai pela sua sabedoria. Manuel Estrada, um dos maiores artistas gráficos contemporâneos, recria com mestria toda a doçura desta história memorável. Fonte


 

terça-feira, 2 de novembro de 2021

José Saramago

Em 16 de novembro de 2021a ssinala-se o início das comemorações do Centenário do nascimento de José Saramago (16 de novembro de 2022). Assim, durante este mês iremos dedicar algumas das nossas atividades a este escritor.