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terça-feira, 21 de junho de 2022

É Verão!

 


O solstício de verão é o momento em que o Sol atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do Equador.

Quando o solstício de verão acontece em junho em Portugal, começa o verão, que é a estação em que se recebe mais incidência de luz solar. Fonte

         

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

O Quarto Rei Mago


Deserto adentro viajam os magos… montados nos seus camelos através da escuridão da noite.

— Vejam, estamos a ser guiados por aquela estrela! — exclamou o primeiro.

— Guiados ao encontro de um rei — concordou o segundo.

— O Rei do Céu e da Terra — acrescentou o terceiro.

Havia um outro homem que viajava com eles.

— Quem me dera ser tão sábio como os meus companheiros — disse para si próprio. — Ter-me-ia inteirado melhor sobre a razão da nossa viagem antes de termos partido.

— A minha prenda está escondida no alforge — murmurou o primeiro.

— A minha vem atada ao cinto — respondeu o segundo.

— E eu trago a minha cosida entre as pregas da túnica — acrescentou o terceiro.

O quarto homem olhou para eles com tristeza.

— Ainda não encontrei uma prenda digna daquele rei — lamentou-se. — Continuo à procura.

— A minha prenda é ouro, porque o rei é poderoso — declarou o primeiro.

— A minha é incenso, porque as orações do rei chegarão a Deus que está no Céu — anunciou o segundo.

— E a minha é mirra, porque o rei será muito famoso em vida mas sê-lo-á ainda mais após a morte — declarou o terceiro.

O quarto homem baixou os olhos.

— Eu nem sequer sei que prenda lhe hei-de dar — suspirou.

Os quatro homens continuaram o caminho pela noite fora, prosseguindo uma viagem que iria prolongar-se por muitos dias e muitas noites.

Por fim, a estrela que os conduzia ficou imóvel no céu nocturno, pairando sobre uma humilde habitação.

— Que lugar tão estranho para um rei — admirou-se o primeiro homem.

— A estrela mostra claramente que estamos no sítio certo — respondeu o segundo.

— Vamos então entrar e oferecer as nossas prendas — disse o terceiro.

O quarto homem ficou à espera do lado de fora.

— Posso ir buscar água para os camelos — disse para si próprio — já que não encontrei uma prenda digna do rei que está lá dentro.

Deslocou-se até ao poço e encheu um cântaro com água. Como era muito pesado, pousou-o no chão por um instante.

Foi então que descobriu uma coisa maravilhosa, e inclinou-se sobre o cântaro para a ver melhor.

— A estrela — disse ele. — A estrela que está no céu, está também no meu cântaro velho e gasto.

Ficou a olhar para ela maravilhado, durante um momento, e a seguir soltou uma sonora gargalhada.

— É isto que vou levar ao rei — disse — a luz do Céu reflectida na água do meu cântaro.

Milagrosamente, a estrela continuou a brilhar no cântaro, fazendo sorrir o Rei-Menino.

Lois Rock (org.)

Contos e Lendas da tradição cristã

Lisboa, Editorial Verbo, 2006


quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Uma Ceia Inesperada


                                                                                                                                                                                            Pixabay License

Numa noite gelada de Dezembro, dois pobres cães vadios procuravam abrigo debaixo de uma grande árvore de Natal erguida no meio de uma praça, com uma vistosa iluminação que podia ser observada até do céu. Debaixo dos ramos da árvore e próximo do calor das lâmpadas fortes, eles conseguiam ter algum conforto, protegendo-se da chuva e do frio intenso.

Disse um dos cães para o companheiro:

— Há quanto tempo andas nesta vida?

— Desde o Verão passado. Os meus donos foram de férias e, como acharam que dava muito trabalho arranjar quem tomasse conta de mim, abandonaram-me. Foi assim que me tornei vadio, embora seja um cão de raça.

— Quer então dizer que é o primeiro Natal que passas na rua?

— Sim, é o primeiro. E tu?

— Para mim já é o terceiro. Eu não sou um cão de raça, sou um rafeiro, e tinha uma dona que gostava muito de mim. Eu era a sua única companhia. Um dia ela adoeceu e acabou por morrer.

— E o que foi que te aconteceu?

— Os filhos da minha dona não quiseram ficar com este encargo e puseram-me na rua. Já por cá ando há algum tempo, remexendo nos contentores, bebendo água das poças e das sarjetas e fugindo das camionetas da Câmara que trazem homens com redes para nos apanharem.

— Pois olha que eu ainda não me habituei a esta vida e nem sei se alguma vez me habituarei. Ainda estou muito zangado com os meus donos por me terem feito o que fizeram. Pareciam gostar muito de mim, gabavam-se muito da minha beleza e da minha raça, mas acabaram por me abandonar, dizendo aos filhos que alguém me roubou quando eu passeava sem trela.

— Já ouvi contar muitas histórias como a tua, e olha que cada vez há mais. As pessoas são egoístas e quando nos põem em casa não pensam nas responsabilidades que têm para connosco.

— Mas parece que com os gatos isso não acontece, e repara que eu não gosto nada de gatos.

— Estás enganado. Também há muitos gatos abandonados e há alturas em que nos podíamos entender, já que os nossos problemas são os mesmos quando se trata de abandono.

— Então e qual é o teu desejo para esta noite de Natal?

— Para dizer a verdade, o que eu desejava é que estas lâmpadas se transformassem em ossos saborosos e numa refeição quente. Se isso acontecesse, eu até era capaz de acreditar que há um céu para os cães.

Mal ele acabou de pronunciar estas palavras, caíram sobre eles vários ossos e duas latas de comida apetitosa. Ambos se refastelaram com a abundância e com a qualidade da refeição que iria marcar para sempre a memória que ambos guardariam daquela noite de Natal.

Certamente haverá quem diga que nunca as lâmpadas coloridas de uma árvore de rua se poderiam transformar em comida para cães abandonados. Mas também é verdade que os cães não costumam falar, e os desta história, para que nos lembremos sempre da solidão dos que são condenados a tornar-se vadios, falaram durante um bom bocado. Vale esta história para que não esqueçamos os que não têm tecto, neste ou nos próximos Natais.


José Jorge Letria

A Árvore das Histórias de Natal

Porto, Ambar, 2006

adaptação FONTE

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

O Polvo

 Hoje comemora-se o  Dia Mundial do Polvo. O dia 8 alude aos 8 tentáculos do polvo. 

Com mais de 300 milhões de anos, os polvos são das espécies mais antigas, precedendo os dinossauros. São constituídos por 90% de músculos e como não possuem ossos eles podem caber em espaços do tamanho de uma moeda. Eles podem ainda mudar de cor e de textura de pele rapidamente.

Um polvo tem cerca de 500 milhões de neurónios no cérebro e nos tentáculos, tem três corações e sangue azul, existindo 300 espécies de polvos reconhecidas. Todas as espécies são venenosas, mas apenas uma é perigosa ao homem: o polvo de anéis azuis, responsável por duas mortes.

Uma fêmea pode colocar 100 mil ovos e ter 280 ventosas em cada tentáculo.

Cerca de 50 mil toneladas de polvos são pescadas todos os anos, não sabendo os cientistas quantos polvos existem ainda nos oceanos. Fonte

domingo, 19 de setembro de 2021

Sugestão de Leitura: Um capuchinho Vermelho


Capuchinhos vermelhos há muitos, mas este é um capuchinho destemido e não vai deixar-se engolir pelo maldito lobo!

Com ilustrações de traço minimal, Marjolaine Leray recria este conto tradicional de forma inesperada e acrescenta-lhe um humor muito especial que delicia miúdos e graúdos. Em Outubro de 2019, a autora visita a Portugal a convite do Festival Internacional AMADORA BD. Inaugura uma exposição de ilustrações originais deste livro e conhece os seus leitores portugueses em sessões de autógrafos e outras actividades. FONTE 

Partilhamos uma das versões.

            

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

O Romance da Raposa

Lembrando que Aquilino Ribeiro, nasceu a 13 de setembro de 1885. Para assinalar esta data deixamos uma das histórias mais conhecidas, O Romance da Raposa         
  
             

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Dia Internacional da Amizade

Neste data, os amigos enviam mensagens de carinho, de amizade e de afeto aos seus amigos, agradecendo a amizade e dedicação destes ao longo dos anos. A data foi instituída pelas Nações Unidas em abril de 2011 com a esperança de que a amizade entre os povos, países, culturas e indivíduos possa inspirar os esforços de paz e construir pontes entre as comunidades mundiais.
Partilhamos a história " Quanto vale a amizade?".


          

domingo, 20 de junho de 2021

O que está por trás?

Que história temos para partilhar hoje? Aceita o desafio e descobre a capa do livro, de seguida ouve a história aqui.

 

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Dia do Duende

Não se sabe qual a origem da comemoração deste dia.

Acredita-se que estes seres da mitologia europeia possuem potes de ouro que têm de ser dados a quem tem a sorte de encontrar um duende. Para encontrar um duende e o seu pote de ouro é preciso seguir o arco-íris. Segundo a lenda, o duende troca o seu pote de ouro pela sua liberdade.

Os duendes são descritos como seres minúsculos de cabeça em forma de cone, que atravessam paredes e que pregam partidas aos humanos, nas suas casas, partindo e mudando objetos de sítio. São representados com a cor verde, com um chapéu e com um trevo de boa sorte na boca ou na roupa.

A nossa sugestão para celebrar o dia do Duende é ouvir a autora Rita Mira que conta a história do seu livro "O Duende que caiu da Lua".



terça-feira, 20 de abril de 2021

O Lobo e o Mocho

 

Era uma vez um lobo que andava à caça. Ele andar, andava, mas a caça, fosse coelho, javardo, texugo ou perdiz, é que não andava por ali, à mão de ser caçada.

Já o lobo se impacientava, quando ouviu o piar de um mocho. Estava no ninho, empoleirado num pinheiro novo.

O lobo pôs-se a sacudir, furiosamente, o tronco do pinheirito, mas só lhe caíram duas pinhas na cabeça.

Lá do alto, o mocho gritou-lhe:

– Ó compadre, não abane tanto o pinheiro, senão os meus filhos, que estão no ninho, acordam.

– Quero lá saber! – respondeu o lobo.

E continuou a sacudir o pinheiro.

Voltou o mocho:

– Ó compadre, por favor, vá abanar outro pinheiro e deixe este em paz. É que os meus filhos, com tanto abanão, ainda caem do ninho.

– Quero lá saber!

Por acaso até queria... Não queria ele outra coisa... E vá de sacudir mais o tronco do pinheiro.

O mocho, de asas a tremer, repontou:

– Se o compadre continua a abanar o pinheiro, eu afino.

– Então afina – disse o lobo, a rir-se.

– E vou aí abaixo e dou-lhe uma desanda – ameaçou o mocho, a ganhar coragem.

– Então vem, que eu também quero dizer-te umas coisas.

O mocho saltou para um ramo, ainda a alguma distância do lobo.

– Chega-te mais perto, que o que eu tenho para dizer-te os teus filhos não podem ouvir.

O mocho deu um saltinho para um ramo mais abaixo.

– Ainda mais perto – disse-lhe o lobo.

– Mais perto não, que os meus filhos podem acordar e, não me vendo no ninho, assustam-se.

– Então volto a abanar o pinheiro.

– Isso é que não – e o mocho desceu mais.

Quando o lobo o viu perto, abocanhou-o logo.

– Ai compadre, que me magoa – queixou-se o mocho. – Se vai comer-me, deixe-me, ao menos, despedir-me dos meus filhos, que ficam sem ninguém que tome conta deles.

O lobo, com o mocho preso na dentuça, meneou a cabeça, negativamente.

– Ao menos diga, para que eles oiçam: "mocho comi" – pediu o mocho.

O lobo, para não abrir a boca, disse, muito baixinho:

– Mocho comi.

– Ó compadre, fale mais alto, senão eles, coitadinhos, não ouvem.

– Mocho comi – disse o lobo, de dentes filados na presa.

– Nem se percebe – insistiu o mocho.– Fale mais alto.

O lobo desabotoou a boca, num grande berro:

– Mocho comi.

Liberto dos dentes, safou-se o mocho, a voar para o cimo do pinheiro, enquanto dizia:

– Mocho comi? Outro que não a mim.

Pegou nos filhos um por um e foi pô-los a salvo, no alto de um pinheiro de maior porte. O lobo, de raiva, rilhou o tronco do pinheirinho e ficou com a boca a saber a resina.

 

António Torrado

Ilustração de Cristina Malaquias