Conheça o projeto do nosso agrupamento para assinalar a semana dos 7 Dias com os media sem sair de casa.
quarta-feira, 6 de maio de 2020
terça-feira, 5 de maio de 2020
Uma História por Dia: A panela milagrosa (Cabo Verde)
No arquipélago de Cabo Verde, há notável escassez de vegetação. Causa — falta de água. Rareando as chuvas, diminuem os produtos da terra, indispensáveis à alimentação; não há pastos para os gados, logo não há carne. Isto quer dizer: a fome reina em casa dos mais pobres.
Ficai sabendo, meus amigos, que o Chaço, no México, em poucos anos se transformou em deserto, devido ao corte das árvores. Anteriormente, erguia-se ali densa floresta. Mas os homens, tolos e gananciosos, na ânsia de enriquecerem com o produto das madeiras, gradualmente a devastaram. O solo tornou-se incapaz de reter a humidade. Os campos de cultura negaram-se a produzir e os homens viram-se forçados a abandonar a região infértil.
O mesmo se deu no Ceará, em terras brasileiras. E, em Cabo Verde, chega-se a morrer de fome, em virtude das mesmas causas. Por estas explicações, toda a gente compreende o quanto devemos querer bem à boa amiga árvore, que tudo nos dá, sem nos pedir mais do que ligeiros cuidados em plantá-la, tratá-la e guardá-la dos dentes vorazes de alguns animais daninhos e das foices inconscientes dos homens tolos.
Certa manhã ardente, Manuel Francisco – um camponês de pele bronzeada e chefe de numerosa família, desesperado por se ver sem trabalho nem alimento para si e para os seus, foi andando, andando, pela praia que ficava pertinho da sua casa.
Insensivelmente, afastou-se e alcançou um ponto onde jamais chegara. Cansado, sen ta-se num penedo e fica a meditar na sua triste sorte. O dia vai alto e milhares de raios de sol brincam à super fície das águas, esplendem em centelhas luminosas. Manuel Francisco mira ao longe e parece-lhe avistar um ilhéu, desconhecido dele, ao centro do qual se ergue, aprumada e esbelta, uma linda palmeira. Busca nos recantos da praia alguma canoa abandonada, na esperança de encontrar trabalho nesse ilhéu. Procura por aqui e por além e encontra uma canoa velha.
Manuel Francisco é remador hábil. Mete-se na canoa e dirige-se ao ilhéu.
O mar, calmo até àquela hora, embravece de súbito e o remador emprega sérios esforços para acercar-se do ilhéu. Aproa, desembarca, ata a canoa ao tronco dum coqueiro. Este e a palmeira constituem a única vegetação do ilhéu. Manuel Francisco trepa ao alto do coqueiro. Colhe dois cocos magníficos e tenta atirá-los para dentro da canoa. Mas tanto esses dois cocos, como outros que sucessivamente arranca, em vez de caírem dentro da canoa, vão mergulhar no mar.
Desce. Arreliado com a ideia de regressar a casa de mãos vazias, atira-se à água. Bom mergulhador como em regra, o são, os camponeses cabo-verdianos, desce, desce até ao fundo, a ver se agarra algum dos cocos. A sua surpresa é ilimitada ao descobrir, não os seus cocos, mas uma casa lindíssima, erguida no fundo do mar. Espanta-se com a descoberta, e mais aumenta a sua admiração quando, na sua frente, à porta da casa, surge um velhote de compridas barbas brancas e lhe pergunta:
— O que desejas? Não sabes que é proibido aos homens descerem até ao palácio do Régulo dos Mares?
— Senhor, eu ignorava que havia régulos no fundo dos mares — responde tremendo Manuel Francisco. — Eu e a minha família temos fome. Colhi cocos no ilhéu e dei xei-os cair à água. Como já tenho mergulhado muitas vezes, a apanhar as moedas que os passageiros dos vapo res, em S. Vicente, atiram ao mar, vim buscar os meus cocos.
— Bom. Tenho pena de ti. Não te farei mal. Espera-me aqui.
Manuel Francisco esperou um momento. Em breve, o Régulo apareceu com uma panela de barro nas mãos. Entregou-a ao mulato, explicando-lhe:
— Leva-a para tua casa. Quando tiveres fome, é só ordenar-lhe: «Panela, dá-me de comer!» Ela dar-te-á alimento suficiente para ti e para a tua família.
Manuel Francisco agarrou sofregamente a panela e correu para a canoa. Apenas embarcou, decidiu-se a expe rimentar as virtudes da panela. Colocou-a diante de si e ordenou:
— Panela, minha rica panela, faz por mim o que costumavas fazer pelo Régulo dos Mares!
Da panela saiu imediatamente rico jantar, completo e apetitoso, a que não faltava sequer a magnífica sobre mesa.
Remou com presteza, na ânsia de levar mantimentos à família. Mas, ao desembarcar, um pensamento ruim, de cruel egoísmo, lhe impediu a prática desse justo dever.
— E se a minha mulher e os meus filhos, esfomeados como estão, comem tudo, e a panela nada mais tem para me dar? O melhor é guardar segredo e eles que se governem…
Escondeu a panela e, ao chegar a casa, vendo toda a família debilitada com fome, fingiu-se aflito, estendeu-se a um canto e não tardou a adormecer.
A mulher, desconfiada do seu sono tranquilo, bem diferente do da restante família, que enganara o apetite com pequena quantidade de papas de milho, resolveu ficar de sobreaviso.
Nos dias seguintes, principiou a notar que o marido saía e se dirigia a certo lugar, mal a família estava reco lhida. E engordava – o grande maroto – enquanto a mulher e os seus desditosos filhinhos emagreciam a olhos vistos e estavam quase esqueléticos. Uma noite, decidida a esclarecer o caso, a mulher seguiu-o na sombra e veri ficou a má conduta do Manuel Francisco. Este a voltar costas, ela a apoderar-se da panela, a correr à aldeia, em busca da família e, compadecida das desgraças alheias, a chamar também os vizinhos esfomeados, para saciarem o apetite.
A pressa e a miséria de alguns eram tais que, em compreensível descuido, quebraram a panela!
É fácil de imaginar a cólera do Manuel Francisco, quando soube o acontecido.
Espancou a mulher e os filhos, indignou-se com a vizinhança, prometeu vingar-se de tudo e de todos.
No dia seguinte, muito cedo, voltou à praia, embarcou na velha canoa e remou para o ilhéu. Colheu mais cocos, atirou-os à água e de novo desceu ao fundo do mar a buscá-los, na esperança de outra aparição do velho Régulo.
Assim sucedeu. Desta vez, o velhote, depois de ouvir o relato sucedido, encrespou as enormes sobrancelhas e, sem proferir palavra, entrou no seu domicílio, donde trouxe um bonito pau, de madeira rija, polida e brilhante. Ofereceu-o ao egoísta.
Manuel Francisco saltou à canoa, com o maior desembaraço e remou para a costa. Desembarcou e, mesmo à beira-mar, exclamou:
— Pau, meu rico pauzinho, faz por mim o que fazias pelo Régulo dos Mares!
O pau, em movimentos rápidos, desatou a bater no Manuel Francisco. Este, aflito, obrigado a fugir por debaixo de água, arrastou-se como pôde até uma praia distante. Só assim se livrou da pancadaria.
O egoísta compreendeu então a fealdade do seu acto e como fora justo o castigo aplicado pelo Régulo dos Mares. Resolveu emendar-se.
E, fiquem sabendo os meus meninos, emenda foi ela, que nunca mais procedeu como egoísta ou mau.
Emílio de Sousa Costa
Joanito Africanista
Porto, Livraria Figueirinhas, s/d
(excerto adaptado)
https://contadoresdestorias.wordpress.com/2007/07/06/a-pan/
segunda-feira, 4 de maio de 2020
História do Dia: A flor e o sino
Como é que uma flor e um sino
podem caber na mesma história?
Há de ser difícil. A flor tão
rasteira e o sino tão alto nada têm a ver um com o outro. Hão de pertencer a
histórias diferentes.
Talvez sim e talvez não…
A flor tinha
acordado, na ponta de um caule, quando o sino se pôs a badalar. Abriu-se de
espanto, porque nunca tinha ouvido música assim: tlim-dlão-dlim…
Mas tudo tem uma lógica, um
começo, um antes do que está para vir. Nós contamos.
A erva donde a flor nascera
tinha rompido a terra como um dedo espetado, que quer chamar a atenção:
— Perguntem-me porque nasci —
gritava a erva, numa vozinha de erva-fina.
Ninguém lhe perguntava.
E ela, impaciente, sempre na
sua:
— Perguntem-me porque nasci.
Perguntem-me.
Estávamos bem servidos, se
tivéssemos de dar conversa a todas as ervas do caminho…
— Então, não querem saber?
Perguntem-me — teimava a erva.
Fartos de ouvi-la,
debruçámo-nos, enfim, para a ervinha.
Logo ela, muito direita, na sua
importância de erva fresca, nos disse:
— Nasci, sabem porquê? Nasci
para dar uma flor.
Olha a admiração! Nisto o sino,
tlim-dlão-dlim, tlim-dlão-dlim, e apareceu a flor.
— Quem me chama? Quem me chama?
— perguntou a flor, que nasceu a falar.
O sino anunciava um casamento.
Era o José mais a Maria que iam casar.
O noivo, antes de entrar na
igreja, colheu, à beira da estrada, uma flor com que enfeitou a lapela. Logo
por coincidência, a flor que tinha acabado de nascer.
Aí têm como um sino e uma flor
podem caber na mesma história. Mas não acaba aqui.
Passado tempo, a flor
desprendeu-se da lapela. Já tinha dado um ar da sua graça. Secou, desfez-se,
juntou-se à terra. É sempre assim.
Na primavera seguinte, mais
coisa menos coisa, o sino outra vez a badalar: tlim-dlão-dlim, tlim-dlão-dlim.
Desta vez, era um batizado, o do menino José Maria, filho de Maria e do José.
Depois, houve boda. No centro
da mesa, um grande ramo de flores campestres, iguais à que viveu nesta história.
Tudo se multiplica. Pelos
tempos fora, o sino vai voltar a bater e as flores a crescer. É uma história
que não acaba.
António
Torrado
domingo, 3 de maio de 2020
História do Dia: Com a mãe no bolso
Todos os anos se repete o ritual. À escola chega uma vintena de novos alunos, passaritos de asas curtas em busca da carta de alforria no voo. A professora, ao recebê-los, tem como preocupação que façam daquele o seu espaço, que criem laços afetivos e cumplicidades, ao mesmo tempo que lhes vai incutindo regras e formas de estar, fundamento básico para lhes começar a introduzir, paulatinamente, os rudimentos da interpretação dos diversos códigos que lhes proporcionem a melhor ligação possível com o mundo que os espera lá fora: na língua materna, na matemática, no conhecimento do meio envolvente, ao mesmo tempo que lhes vai estimulando a solidariedade, a civilidade, a amizade e outras ade.
Os olhos da maioria não escondem o entusiasmo. Parecem potrinhos sem freio, ávidos de galopes intermináveis por territórios bem delineados no sonho, apenas apaziguados por sono retemperador. Mas há sempre um ou dois que não trazem as defesas necessárias para conviver harmoniosamente num grupo com tanta energia à solta, ávido de se manifestar e de deixar marca de si. Sentem demasiado a mudança de território, e o desconforto fá-los recordar, constantemente, a segurança das mãos da mãe, o seu cheiro, a sua proteção...
O Tiago é um desses casos. A vivacidade dos colegas não o tranquiliza, e cada gesto mais exuberante é uma ameaça para o precário equilíbrio do seu pequeno mundo. A professora, percebendo-lhe a insegurança, tenta apaziguar-lhe as angústias e, após ouvir-lhe a invocação da progenitora pela enésima vez, sugere-lhe que traga para a sala a fotografia da mãe.
No dia seguinte, com um esboço de sorriso nos lábios, o Tiago apareceu na escola com uma moldura com a fotografia da mãe, e mostrou-a à professora. Esta, com a cumplicidade estampada no olhar, elogiou-lhe a beleza, e encorajou-o a colocá-la em cima da mesa de trabalho.
Embora recorrendo a frequentes olhares para a fotografia, o Tiago começou a encarar a escola de forma mais tranquila. As tarefas deixaram de ser penosas, as caras dos colegas começaram a ter contorno de amigos, ousou aventurar-se nas movimentações do recreio...
O pior era quando chegava a hora do almoço. O miúdo, que até aí continuava a trepar degraus na sua integração, quando chegava o meio-dia não conseguia evitar o aparecimento dos seus fantasmas. Apavorava-o o ambiente do refeitório, sem a presença da professora, não conseguindo lidar com a exuberância dos colegas mais velhos, com outro traquejo na arte de lidar com os outros.
Quando a angústia da hora do almoço ameaçava tornar-se um hábito, foi o próprio Tiago a encontrar a solução. Um dia destes, ao chegar a temida hora, aproximou-se da professora e pediu-lhe, baixinho:
— Professora, posso levar a minha mãe comigo? Perante o acenar positivo, o pequenote pegou na moldura, meteu-a no bolso com todo o cuidado e lá partiu, mais confiante, em direção ao refeitório.
Nesse dia, na reconfortante companhia da mãe, o Tiago comeu a sopa toda.
A.C.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
História do Dia: Os três preguiçosos
Como hoje é Dia do Trabalhador...
Houve, uma vez, um rei que tinha três filhos, aos quais
amava, igualmente, com a mesma ternura; por isso não sabia a qual deles nomear
para sucessor quando viesse a falecer.
Um dia, sentindo que a vida chegava ao fim, chamou os três
para junto do leito e disse:
- Tenho pensado muito em vós e há uma coisa que desejo
dizer-vos: quero deixar o reino ao que dos três for mais preguiçoso, assim que
eu morrer.
O mais velho, então, disso:
- Meu pai, o reino cabe a mim; pois sou tão preguiçoso que,
se me deito para dormir e porventura me cai uma gota nos olhos, não tenho
vontade de fechá-los para dormir.
O segundo, por sua vez, disse:
- Meu pai, o reino cabe a mim; pois sou tão preguiçoso que,
quando estou sentado perto do fogo para me aquecer, deixo queimar as plantas
dos pés antes que me dar ao trabalho de puxar as pernas.
O terceiro acrescentou:
- Meu pai, o reino me pertence; pois sou tão preguiçoso que,
se estivesse para ser enforcado, já com a corda no pescoço, e alguém me
colocasse uma faca na mão para cortá-la, eu preferiria morrer enforcado antes
que levantar a mão para cortar a corda.
Ouvindo isso, o rei exclamou:
- Tua preguiça chegou ao máximo; portanto serás tu o rei.
Contos de Grimm
http://contosdatita.blogspot.com/2016/06/os-tres-preguicosos-contos-de-grimm.html
quinta-feira, 30 de abril de 2020
História do Dia: O sonho da Floresta
Há muito, muito tempo, antes da chegada do homem branco ao Novo Continente, Lalita, uma jovem índia, levantou-se uma certa manhã a tremer: tinha tido um pesadelo. Sonhara que majestosas aves brancas atravessavam o oceano, acompanhadas por um vento tão forte que todas as árvores se curvavam à sua passagem.
Tinha até ouvido a floresta
chorar.
— O que quer isto dizer? –
perguntou aos pais.
Mas nem o pai nem a mãe souberam
explicar-lhe.
— Foi apenas um sonho, Lalita –
disse o pai. — Não te inquietes, minha filha.
Mas, um dia, pouco tempo depois
deste curioso sonho, numa altura em que estava a contemplar o horizonte, Lalita
pensou ter visto, ao longe, enormes aves brancas que voavam ao seu encontro por
cima do mar. Não eram – infelizmente – aves majestosas, mas antes as velas
brancas de imponentes navios, a bordo dos quais se encontravam estranhos
indivíduos. Lalita estremeceu, o sonho tornava-se realidade.
Os homens vindos do Oceano
chegaram a terra. Possuíam machados e nenhum respeito tinham pela floresta. Nem
sequer se preocuparam com os índios que, ao contrário deles, amavam as árvores
e compreendiam a sua linguagem. Começaram então os homens brancos a abater, uma
a uma, as árvores da floresta. Acarretavam as árvores mortas até aos navios,
deixando para trás a terra desolada e nua. Uma vez desaparecida a floresta,
nada mais restava a Lalita senão chorar. Já não havia vivalma na floresta, nem
ursos nem aves. E os próprios índios se puseram em fuga, os velhos apoiados nos
bastões e os bebés nos braços das mães.
Lalita não queria fugir. O
coração dizia-lhe que ficasse junto das árvores bem-amadas e não as
abandonasse.
— Irei mais tarde – prometeu à
mãe. Refugiou-se então numa gruta. Cheia de terror e de desespero, viu os
homens brancos destruírem a floresta. Ouviu também choros de crianças. Em
verdade, eram os gritos de dor das árvores abatidas pelos machados. Lalita
sentiu que o seu coração se partia. Viu e escutou tudo, até ao momento em que
os homens brancos levaram a última árvore, desaparecendo por fim.
Ao cair da noite, Lalita deixou o
refúgio. No céu, as estrelas brilhavam como diamantes. Os reflexos cor de
safira, rubi e esmeralda da aurora boreal acariciavam os cumes das montanhas.
Mas Lalita nada via desse espectáculo. Chorava a floresta cujas árvores
conhecera uma por uma. Chorava a terra devastada que outrora acolhera o seu
povo. E as lágrimas impediam-na de ver o crescente prateado da lua a subir no céu
e a resplandecer num silêncio de morte.
Lalita estava estendida, imóvel.
Apenas os cabelos ondulavam sobre a terra deserta. Durante sete dias e sete
noites assim permaneceu. Durante sete dias e sete noites Lalita chorou. E
chorou tanto que um riacho nasceu das suas lágrimas.
E do riacho brotou uma cascata.
E as lágrimas de Lalita
espalharam-se pela terra seca formando novos rios.
Na manhã do oitavo dia, algo de
inesperado ocorreu. Um rebento surgiu na beira do rio de lágrimas. E o rebento
transformou–se numa campainha tão branca e suave como a lã de um cordeiro.
Pouco depois surgiu uma outra campainha-branca, depois uma outra, e a terra
devastada acabou por se cobrir completamente de pétalas brancas como a neve.
Mas Lalita de nada se deu conta.
Continuava a chorar. As suas lágrimas alimentavam o rio que se espalhava sem
cessar. As lágrimas impediam-na de ver os jovens rebentos de carvalho e os
minúsculos picos dos pinheiros que nasciam. Não via as árvores que cresciam a
seus pés nem as flores que surgiam entre os seus dedos.
Um dia, ao nascer do sol,
ouviu-se um canto tão puro e tocante como a música de uma flauta.
— Um pássaro! – murmurou Lalita.
Parou de chorar e abriu os olhos.
Nos ramos de um ácer um pisco cantava.
Lalita riu, saltou de alegria e
estendeu os braços. A ave, tão feliz quanto ela, esvoaçou e veio pousar-lhe na
mão. A vida regressava à floresta. As suas lágrimas tinham sido sinceras, e a
elas a terra tinha ido buscar a água e o amor necessários para que a natureza
de novo brotasse. O amor permitira o regresso dos animais, dos pássaros e da
sua família.
A partir desse dia os índios
afirmam que, se um amor é fiel, tudo o que foi destruído renasce das cinzas, e
que o amor leva sempre a melhor sobre o ódio.
Kenneth Steven
Le songe de la forêt
Paris, Ed. Gründ, 2002
Le songe de la forêt
Paris, Ed. Gründ, 2002
tradução e adaptaçãohttps://interculturalidades.wordpress.com/2008/04/24/o-sonho-da-floresta/
Dia Internacional do Jazz
Foi em 2012 que se celebrou pela primeira vez o Dia Internacional do Jazz. A comemoração tem como objetivo lembrar a importância deste género musical e o seu contributo na promoção de diferentes culturas e povos ao longo da história. O jazz está associado à luta pela liberdade e à abolição da escravatura.
O jazz é um estilo musical que apela à criatividade e à improvisação.
O jazz teve origem nos Estados Unidos da América, através da comunidade afro-americana no século XIX, tendo-se popularizado nas primeiras décadas do século XX. New Orleans é reconhecida como a cidade onde nasceu o jazz. Acredita-se que a palavra jazz advém da gíria norte-americana.
Miles Davis, Chet Baker, Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Nina Simone, John Coltrane, Louis Armstrong, Edward Ellington e Dizzy Gillespie são alguns dos grandes nomes do jazz.
https://www.e-cultura.pt/efemeride/19
quarta-feira, 29 de abril de 2020
Dia Mundial da Dança
O Dia Mundial da Dança foi instituído pelo Comité Internacional da Dança (CID) da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) em 1982. Celebra-se na data de nascimento do bailarino Jean-Georges Noverre (1727-1810), considerado um dos pioneiros da dança moderna.
História do Dia: A arte de ser feliz
Houve um tempo em que a minha
janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de
louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos,
quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no
ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente
feliz.
Houve um tempo em que a minha
janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de
flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que
sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham
criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais
criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha
janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa
redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma
mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura
da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito
longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às
vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do
auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente
feliz.
Houve um tempo em que a minha
janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela
havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e
o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não
era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não
morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que
caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Cecília Meireles
Escolha o Seu Sonho –
Crónicas, 2016
https://contadoresdestorias.wordpress.com/2017/02/13/a-arte-de-ser-feliz/
terça-feira, 28 de abril de 2020
História do Dia - O Sapo Desaparecido
Hoje publicamos uma história escrita por uma das nossas alunas do 5.º ano.
O Sapo Desaparecido
Num castelo no ar, situado no Reino do Ar, todos os animais voavam.
Havia um deles que estava sempre a perguntar-se o que teriam debaixo deles. Era o sapo voador, o Jimmy. Todos os dias ele pedia:
- Mãe, pai, posso ver o que tem lá em baixo? Nunca ninguém viu!
Mas levava sempre com a mesma resposta:
- Não, Jimmy Watterson, já te dissemos que lá em baixo é um mundo muito diferente, sempre alegre sem nenhum problema e anda muita gente na rua! Se te descobrissem, invadiriam logo o nosso reino!
O pobre Jimmy não podia desrespeitar os pais. Mas, uma noite, Jimmy decidiu sair sem autorização e muito assustado sussurrava:
- Espero bem que ninguém me encontre!
E lá foi o pequeno sapo voador.
Chegou ao amanhecer, e muito admirado disse:
- Que estranho! A mãe e o pai disseram-me que cá em baixo era tudo alegre e estava muita gente na rua a passear e feliz, mas não vejo ninguém!
Ele estava a voar pelas ruas e só via cartazes a dizer: “COVID-19 (Coronavírus)! Proteja-se da grande pandemia, evite sair à rua, mas se sair use máscara e luvas! Acredite que vai ficar tudo bem, cuide de si, pois fazendo isso está a proteger os outros!”
O pobre sapo já não sabia o que fazer e perguntava-se mais uma vez:
- O que será isto do tal COVID-19?
Ele começou a investigar e descobriu que era uma pandemia. Um vírus estava a infetar todo o Mundo. Jimmy voltou logo para o seu reino.
Mal chegou, estava toda a gente preocupada com ele! A mãe e o pai muito preocupados logo lhe perguntaram:
- Jimmy, onde estivestes até agora? Estávamos muito preocupados!
- Mãe, pai, eu fui ver o que tinha em baixo de nós. Desculpem! Eu não vou mais voltar. Eu descobri que existe lá uma grande pandemia de COVID-19 e ninguém pode sair à rua sem ser necessário, mas se saírem têm de levar máscara e luvas e, mal entrem em casa, devem lavar as mãos - dizia o pequeno sapo voador.
Os pais aceitaram o pedido de desculpas, mas daí em diante nunca mais ninguém foi lá a baixo.
Marlene J. (aluna do 5.º ano)
segunda-feira, 27 de abril de 2020
História do Dia: Mais bonito que as sardas
As rugas deviam
simplesmente indicar o lugar onde os sorrisos estiveram.
Mark Twain
Mark Twain
Aconteceu um ano no Zoo. Eu e a minha filha estávamos ao
lado de uma avó e de uma menina com a cara toda pintalgada de sardas vermelhas
e brilhantes. As crianças faziam fila, esperando que uma artista local lhes
pintasse as caras, decorando-as com patinhas de tigre.
— Tu tens tantas sardas que nem há sítio para pintar —
berrou um rapaz da fila. Envergonhada, a pequenita ao meu lado baixou a cabeça.
A avó ajoelhou-se ao lado dela. — Adoro as tuas sardas — disse
ela.
— Mas eu não! — respondeu a menina.
— Bem, quando eu era pequena só queria ter sardas — disse
ela, passando o dedo pelas bochechas da criança. — As sardas são lindas!
A menina olhou para cima. — A sério?
— Claro — disse a avó. — Diz-me lá uma só coisa que seja
mais linda que as sardas.
A pequenita examinou atentamente a cara sorridente da velha
senhora. — As rugas — disse meigamente.
Aquele momento ensinou-me algo a partir de então. Se
olharmos os outros com os olhos do amor, não veremos defeitos. Apenas beleza.
Sue Monk Kidd
domingo, 26 de abril de 2020
História do Dia: A bola e os seus amigos
Veio uma bola pelo ar
que se pôs a saltitar
por cima deste papel.
Quem foi que lhe deu licença?
Houve um menino que a viu
e que correu a apanhá-la
ela então parou – fugir não fugiu –
e ficou à espera que o menino
com ela brincasse.
— Deixas que eu salte ao eixo?
— Pois decerto que deixo.
— E posso deitar-me sobre ti?
Não me empurras? Não me foges?
— Podes sim.
Sou bola boa. Redonda.
Não tenhas medo de mim.
Nisto, chegou-se uma menina
que perguntou:
— Esta bola é tua?
— Não sei! — respondeu o menino.
— Pergunta-lhe a ela.
Falou então a bola:
— Sou vossa, de vocês dois, mas não me partam ao meio.
Era um perigo pois deixava de ser bola.
Brinquem, brinquem comigo. Não sirvo para outra coisa.
Mão de menino que em mim poisa
é mão de amigo.
Quantas mais mãos, mais amigos;
e eu, então, embora não pareça,
fico tão cheia de ar, de alegria,
que perco a cabeça.
Vieram mais meninos,
e a bola voou do chão,
andou de mão em mão
– é minha, é tua agora! –
saltou, correu, voltejou
e voou desta página para fora.
António Torrado
sábado, 25 de abril de 2020
25 de abril Sempre!
Esta é a madrugada que eu esperava/O dia inicial inteiro e limpo/Onde emergimos da noite e do silêncio/E livres habitamos a substância do tempo.
Sophia de Mello Breyner Andersen (1974)
Em Portugal, na madrugada de 24 para 25 de Abril de 1974, um grupo de militares iniciou o derrube de um regime repressivo de 48 anos, há muito esperado. O povo desceu às ruas, clamando por paz, pão e liberdade. Emergindo dos tempos ditados por Salazar e Caetano, os povos de Portugal e das então colónias portuguesas emanciparam-se calando uma guerra sangrenta, uma emigração injusta, uma economia pobre e uma sociedade censurada, tão distantes da CEE/UE e da ONU.
Nasceu a Democracia, fez-se a Descolonização e alimentou-se o Desenvolvimento. Os tais 3 D do Movimento das Forças Armadas, prometidos e vividos desde então.
Interrompida a noite com o cantar de “Grândola, Vila Morena” e de “Somos livres”, o povo português, unido, tem celebrado, desde essa data, a Revolução dos Cravos.
Hoje, em Portugal e no Mundo, canta-se novamente a “Grândola, Vila Morena”. Em casa ou à janela, ao vivo ou online, com um livro na mão, em tempos singulares de pandemia. Um 25 de Abril diferente, mas sempre!
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História do Dia: História de uma flor
Uma história que pode ser lida em:
http://cataflash.catalivros.org/m005/LM_0004_FOL_transicao_historia_de_uma_flor.html!
Para assinalar a comemoração do 25 de abril de 1974, depois da história sugerimos fazer o origami de um cravo.
sexta-feira, 24 de abril de 2020
A pensar no dia de amanhã...
Como forma de assinalar a comemoração do 25 de abril de 1974, reunimos num padlet algumas histórias, documentários, jogos e músicas. É só clicar na imagem.
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Desafio: Dia do Livro e do Direito de Autor
Hoje lançamos o desafio de responderes a um Kahoot! sobre o Dia do Livro e do Direito de Autor. Clica na imagem! Para começar o jogo só tens que colocar o teu nickname. Sugerimos que seja o nome de uma das tuas personagens da história que mais gostas.
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor
Num ano conturbado em que, na cadeia do livro, todos somos
precisos - escritor e ilustrador, editor, tradutor, revisor, designer, gráfica,
distribuidora, livraria, mediador, biblioteca e, sobretudo neste momento, o
LEITOR -, a ilustradora e designer Mariana Rio (Menção Especial do Prémio
Nacional de Ilustração em 2019) concebeu a imagem do cartaz.
O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por
decisão da UNESCO, a 23 de Abril. Neste dia, comemora-se também o Direito de
Autor.
Esta data foi escolhida com base na tradição catalã segundo
a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de S.
Jorge, e recebem em troca um livro, testemunho das aventuras do heróico
cavaleiro. Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores,
como Shakespeare, Cervantes e Garcilaso de La Vega, falecidos em Abril.
Se este ano vai ser difícil oferecer uma rosa, fácil será
oferecer um livro. Vá à livraria da sua zona ou encomende online, e envie um
livro para os que lhe são mais queridos.
Um livro no coração. Todos somos Livros.
Dia da Terra: Sugestão do Dia
terça-feira, 21 de abril de 2020
História do Dia: A cegueira do príncipe
Veio esta história de longe, da Índia, que é terra fértil em histórias de encantar.
Aí se conta de um príncipe, filho de um poderoso marajá (que era um rei da Índia, de antigamente), que era cego.
Inexplicável doença roubara-lhe a luz dos olhos e nenhum sábio ou médico dos mais eminentes conseguia atinar com a cura do seu mal.
Mas, um dia, apresentou-se no palácio um peregrino que disse:
— Sei do remédio que cura o príncipe.
O marajá chamou-o logo à sua presença:
— Diz-me o que precisas para livrar o meu filho da cegueira, que tudo se fará como tu ordenares.
— Preciso apenas de uma taça de cristal — respondeu o peregrino — e que Vossa Majestade me acompanhe numa viagem, através do reino.
Rei e peregrino desceram às ruas e aos campos miseráveis do reino. Por onde passavam, onde houvesse lágrimas vertidas pelo povo, lágrimas de sofrimentos, de misérias, de injustiças sofridas e caladas, o peregrino colhia-as na sua taça de cristal.
Quando tiveram a taça quase cheia de lágrimas — o que não foi difícil, porque o povo daquele reino era pobre e vivia abandonado, no meio da sua pobreza, — quando deram por finda a viagem e regressaram ao palácio, o peregrino banhou os olhos do príncipe com o conteúdo da taça.
Que ninguém se admire com o que sucedeu…
Imaginem que logo, naquele instante, o príncipe voltou a ver.
A história não conta se o rei, depois desta viagem, passou a cuidar melhor dos assuntos do reino nem se o príncipe, uma vez rei, foi bom e justo para o seu povo. A história não conta, mas nós acreditamos que sim, que foi tal e qual como nós desejamos que tudo passou a acontecer.
António Torrado
segunda-feira, 20 de abril de 2020
Medi@ção - Concurso 2020 (até 30 de maio)
O prazo final de entrega dos trabalhos ao concurso Media@ção foi alargado até ao dia 30 de maio.
Podem candidatar-se alunos de ensino básico e secundário de escolas públicas, privadas, profissionais e, ainda, escolas portuguesas ou da rede de ensino de português no estrangeiro.
Pretende-se que os trabalhos relacionem o uso dos media e o atual problema da desinformação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável n.º 5 (Igualdade de Género), n.º 13 (Ação Climática) ou n.º 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), a saber, que relacionem os media e a desinformação com problemas de igualdade/ violência de género, questões ambientais ou formas várias do designado discurso de ódio.
Lâ atentamente o Regulamento e consulta a informação que se encontra no "padlet" que a tua Biblioteca criou para apoiar a tua participação no concurso.
História do Dia: A galinha vermelha
Tendo uma galinha vermelha encontrado alguns grãos de trigo,
disse aos seus vizinhos de capoeira:
— Se plantarmos este trigo, teremos pão para comer. Alguém
quer ajudar-me a plantá-lo?
A vaca disse que não. O pato, o porco e o ganso também se
recusaram a fazê-lo.
— Então, eu mesma os plantarei — disse a galinha.
E assim fez. O trigo cresceu alto e doirado. Quando estava
já amadurecido, a galinha perguntou:
— Quem quer ajudar-me a colhê-lo?
— Eu não — negou-se o pato.
— Isso não faz parte do meu trabalho — disse o porco.
— Tenho demasiados anos de campo! — exclamou a vaca.
— Então, eu mesma o colherei — disse a galinha.
Quando chegou a hora de preparar o pão, a galinha perguntou:
— Quem quer ajudar-me a cozê-lo?
— Só se me pagares! — exclamou a vaca.
— Eu não posso pôr em risco o meu estatuto de doente — disse
o pato.
— Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão — explicou o
porco.
— Se for só eu a ajudar, considero-me vítima de
discriminação — resmungou o ganso.
— Então, eu mesma o faço — disse a galinha.
Assou cinco pães e colocou-os numa cestinha onde todos os
podiam ver. De repente, todos pareciam querer pão.
Mas a galinha anunciou:
— Comerei eu os pães sozinha.
Então, a vaca gritou:
— Os teus lucros são excessivos!
O pato protestou:
— Não passas de uma sanguessuga!
— Exijo direitos iguais! — bradou o ganso.
Quanto ao porco, apenas grunhiu.
Todos os animais pintaram faixas e cartazes e marcharam em
protesto contra a galinha. Chegou, então, o feitor da quinta, que disse:
— Galinha, não podes ser assim egoísta!
— Mas eu ganhei este pão com o meu próprio suor —protestou a
galinha.
— É esse, justamente, o princípio da livre iniciativa —
continuou o feitor. — Qualquer um ganha o que quiser. Contudo, segundo as
regras da nossa quinta, os animais mais produtivos têm obrigação de partilhar o
que produzem com os animais que nada querem fazer.
E todos viveram felizes para sempre, incluindo a pequena
galinha vermelha, que sorria e cacarejava:
— Eu estou grata, eu estou grata…
Contudo, a verdade é que a galinha nunca mais fez nada. Nem
sequer um pão.
Julio Cesar Zanluca
(Adaptação)
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