sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

O Pinheiro Descontente

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No meio da floresta, vivia um pinheirinho muito envergonhado. Queixava-se ele de que tinha umas folhas insignificantes, tão magras e aguçadas, que as outras árvores, por troça, diziam:

– Tu não tens folhas. Tens agulhas, em vez de folhas.

Isso custava-lhe muito. Magoava-o. Entristecia-o.

A fada Flora, para alegrar o pinheirinho, vestiu-o, uma vez, de oiro e de prata.

Estava lindo. Sentiu-se outro. Perdeu as mágoas.

Mas um ladrão, que se tinha escondido na floresta, ao ver tal fortuna em ouro e prata, roubou-lhe as folhas todas.

Ficou o pinheirinho num grande desespero. O tronco e os ramos tiritavam, despidos de folhas.

Então, a fada Flora voltou a condoer-se do pinheiro triste e nu. Fez uma nova mágica e o pinheirinho, no dia seguinte, acordou coberto de agulhas de vidro tilintante.

Assim, sim! Nada podia acontecer-lhe de mal, porque o vidro não atrai cobiça.

Só não contava com o vento, que veio a correr, para admirar de perto tal maravilha. Desastrado como ele é sempre, abanou a pequenina árvore tanto que as folhas de vidro bateram umas nas outras. Caíram no chão e partiram-se.

Lamentou-se o pinheirinho:

– Afinal, mais me valiam as minhas antigas folhas verdes e agudas.

A fada Flora, cheia de paciência, tornou a dar-lhe o fato antigo de árvore verdadeira. Talvez ela já tivesse calculado que assim voltaria a acontecer. Talvez ela tivesse feito tudo de propósito...

Fosse como fosse, o pinheirinho estava, finalmente, feliz.

De longe em longe, muito de longe em longe, não disfarça um curto suspiro de saudade:

– Que bem que eu ficava, vestido de ouro e prata. E que bonito, todo coberto de vidro.

Mas é um pensamento de raspão e passa-lhe depressa.

No entanto, a lenda conta que alguém, adivinhando os pensamentos do pinheirinho, resolveu enfeitá-lo com lindas bolas de vidro de todas as cores e fios de prata e de ouro a fingir.

Assim nasceu o pinheiro de Natal.  



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